"Plano Família" é armadilha para os trabalhadores

Federação busca atuar de maneira preventiva, mas não descarta mobilização nacional

Federação busca atuar de maneira preventiva, mas não descarta mobilização nacional

Após as últimas discussões sobre o plano de saúde realizadas no último dia 27 em Brasília, fica cada vez mais evidente que a intenção da ECT é retirar pais e mães do plano de saúde.

A ideia de que o Plano de Saúde dos ecetistas é inviável para a vitalidade financeira da empresa é um engodo usado para desmontar a ECT. Tanto que vem sendo implantado de maneira orquestrada, afetando outras estatais, a exemplo do que foi feito unilateralmente pela resolução nº23/018 da CGPAR (que determinou que o custeio de 50% dos planos de saúde da estatais seja pago pelos trabalhadores, além de extinguir dependentes e aposentados).

A tática é a mesma: propõe-se uma solução absurda e completamente abusiva, sem a qual é supostamente impossível resolver a situação. Seja no Governo – Temer abusou dessa prática e recuou estrategicamente para conseguir aprovação dos principais pontos, Bolsonaro segue pelo mesmo caminho – ou nos órgãos federais, continuam jogando a conta para os trabalhadores.

Primeiro buscam convencer os trabalhadores que sem o sacrifício – sempre deles, nunca da diretoria ou da presidência – o fim do direito é um destino. Depois, quando a proposta que foi feita para dar errado finalmente se torna um desastre, já não há como voltar atrás, pois uma série de questões jurídicas torna a burocracia infindável uma importante aliada dos patrões.

Agora com o ataque direto aos dependentes, com entraves que começaram na implantação das mensalidades – como problemas no RH, emissão e liberação de guias e até mesmo a piora na qualidade do serviço com redução de rede de atendimento – o objetivo não é apenas a conta, mas também culpar os trabalhadores pela falência do plano.

Explica-se: se, para custear o plano, é preciso que os trabalhadores paguem quase todo o seu próprio salário ou, em alguns casos, mais do que ganham, não haverá adesão. Ao apresentar um plano com valores de mercado para a categoria cujo salário é o menor entre as empresas públicas parece mesmo que a intenção é zombar dos ecetistas.

A pressão feita pelo TST quando da judicialização da cláusula 28 que resultou na implantação deve servir como alerta de que a batalha não será fácil, mas é possível reverter mostrando que não deu certo e não tem chances de se resolver se a ECT continuar onerando seus funcionários.

Federação busca atuar de maneira preventiva, mas não descarta mobilização nacional

A FENTECT ingressou com um Procedimento de Mediação Pré-Processual para resguardar o direito dos trabalhadores e seus familiares ao plano de saúde e vai analisar os dados apresentados pela empresa. Toda a parte técnica contará com a assessoria do DIEESE para que a análise seja feita em proveito dos ecetistas, de forma a demarcar os prejuízos sofridos no último ano em consequência da implantação das mensalidades. As próximas reuniões estão previstas para os dias 19, 20 e 21 de março.

A FENTECT também está buscando a unidade em diálogo com a outra federação para construir um movimento amplo e forte. No entanto somente a discussão e a participação dos trabalhadores conseguirá barrar este ataque. É preciso que a categoria entenda de uma vez que não se trata de ato isolado, mas de desmonte da ECT e do Estado brasileiro, visando a privatização. Por isso é preciso, sobretudo, mobilização. A FENTECT conclama todos os sindicatos filiados e suas bases a se manterem atentos ao calendário e prontos a resistir. As informações são da FENTECT.

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