Crise dos Correios desagrada consumidores e funcionários desabafam: ‘A culpa não é do carteiro’

‘A culpa não é do carteiro’

No Centro de Distribuição da Barra, as entregas ficam entulhadas Foto: Arquivo Pessoal
De goteiras a banheiros quebrados, passando por carros danificados, falta de pessoal, assaltos frequentes e sequestros rotineiros. Os problemas citados fazem parte do dia a dia de centenas de funcionários dos Correios no estado do Rio. Na última semana, o EXTRA ouviu as reclamações de dezenas de servidores que lidam com as correspondências e encomendas, que hoje penam para chegar às casas dos consumidores.

— O principal é dizer que a culpa da crise dos Correios não é do carteiro. Uma rotina de trabalho dura mais de 10 horas durante a semana. Ainda enfrentamos falta de segurança e de condições de trabalho — disse um carteiro que pediu para ser identificado como W, pelo medo de retaliação por parte da empresa.
Na Tijuca, servidores convivem com goteiras e vazamentos Foto: fotos de divulgação
Nos Centros de Distribuição (CDDs) espalhados pelo estado, o retrato é de abandono. Na Tijuca, os últimos meses no espaço foram em meio a goteiras e poças nas salas de triagem. Na Barra da Tijuca e no Recreio, as caixas com cartas e encomendas ficam espalhadas em mesas e pelo chão, devido ao acúmulo de itens. Em Senador Camará, os funcionários convivem com carros e caminhões desativados, enquanto em Realengo, os banheiros estão interditados com problemas.

— Queremos condições justas de trabalho. A empresa está com uma política de incentivar a saída de funcionários. Enquanto isso, o acumulo de serviços é grande — disse Ronaldo Martins, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio de Janeiro (Sintect-RJ).
Na Barra, as caixas estão danificadas
Indenizações disparam
Uma auditoria feita pela Controladoria Geral da União (CGU), no segundo semestre de 2017, mostrou o tamanho do problema logístico vivido pelos Correios. Os técnicos do órgão constataram que em seis anos, o volume de indenizações pagas pela empresa por atrasos, extravios e roubos aumentaram 1.054%. Para se ter uma ideia, o peso financeiro, em 2011, sobre essas indenizações foi de R$ 60 milhões. Já em 2016, o valor disparou a R$ 201,7 milhões. O aumento percentual foi de 236% no período.
Em Senador Camará, um depósito de carros usados
É o caso, por exemplo, da designer de joias Luciana Albuquerque, de 29. Ela depende dos Correios para enviar seus produtos. Várias vezes, porém, o serviço se torna uma grande dor de cabeça.

— Fiz uma postagem dia 8 de fevereiro e até agora não chegou. Já foram três reclamações sem resposta. Vou ter que postar outra produto e cobrar o que aconteceu com este — disse Luciana.

Outro dado encontrado pelo TCU aponta para o congelamento no corpo funcional. De 2011 a 2016, aumento de 0,43%. A empresa, porém, nega acumulo de trabalho, e aponta reestruturação diante da queda no número de postagens.

Assaltos são rotineiros
O acúmulo de serviço só não é pior que a insegurança para rodar com carros, caminhões ou até mesmo a pé. Entre os funcionários dos Correios, a “disputa” é para saber quem foi o mais assaltado nos últimos anos.

— Em quase 15 anos como carteiro no Rio de Janeiro, já fui assaltado mais de 25 vezes. Além das entregas, levam o dinheiro que temos, celular e o que for de valor. Já perdi três alianças. Só não largo o meu emprego por causa da minha família — lamentou o funcionário D, que preferiu o anonimato.

Segundo os servidores, os assaltos são comuns em bairros da Zona Norte e da Zona Oeste.

— É comum o mesmo grupo de assaltantes cometer o crime em mais de uma oportunidade. Alguns “reconhecem” o bando, mas nada é feito — reforçou D.

Procurados, os Correio informaram que analisam situações de entregas com escoltas ou recomenda a retirada do produto nos Centros de Distribuição. A empresa lembrou, porém, que o assunto é uma questão de Estado. A respeito da situação dos Centros de Distribuição, o órgão tem planos de investimentos em infraestrutura: “em função do tamanho da empresa, problemas pontuais podem existir em algumas unidades”.

Depoimentos
Gabriela Siqueira utiliza os correios para enviar suas peças Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
Gabriela Siqueira, de 41 anos. 

Dona da loja online “Casa da Gabriela

Enviei um item antes do Natal, mas ele chegou em fevereiro

Tenho uma loja online de crochê e a maioria das encomendas é enviada pelos Correios. Dependo deles de certa forma. Um caso que aconteceu comigo no passado me chocou. Recebi uma encomenda em novembro, com certa antecedência, pois o cliente gostaria de dar de presente para o Natal. A encomenda era para fora do estado. Fiquei acompanhando o rastreamento, mas sem atualização. O Natal passou, a encomenda não chegou e a gente fica sem saber o que dizer para quem comprou o produto. O item só foi chegar em fevereiro, quase três meses depois da postagem.

Eu me coloquei à disposição da pessoa para enviar um novo produto, mas ela aceitou ficar com o que chegou. Mas é algo ruim. Eu não tenho outra opção se não mandar pelos Correios. Para tornar minha situação ainda mais delicada, meus produtos são feitos à mão, e possuem características próprias. Se já existe o temor quando o transporte é feito de maneira correta, imagina quando não temos ideia do que acontece no caminho até o cliente.
Luciana Albuquerque ainda acredita na melhora do serviço Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
Luciana Albuquerque, de 29 anos.

Sócia do Studio Manual e designer de joias

Os problemas não são poucos, mas podem ser solucionados

Como empresária, recorro diversas vezes ao serviço dos Correios e reconheço a importância da empresa enquanto empresa pública, porém o que mais tenho são histórias de problemas. Um caso, por exemplo, foi um pedido que recebemos no dia 6 de fevereiro e postado no dia 8. Já passamos da metade de março e até agora ele não chegou. O código de rastreamento fala que ele está a caminho, mas não diz exatamente em qual local. Já foram abertos três protocolos de reclamação, mas não tivemos retorno. Já liguei para o atendimento para tratar com algum responsável e não consigo. O jeito será enviar outro produto e resolver depois. Esse atraso já aconteceu outras vezes, às vezes somos informadas que o item foi roubado e recebemos o estorno.

Existem outras casos, mas a responsabilidade não é só dos Correios. Como a questão da Segurança, por exemplo. Os problemas não são poucos, mas podem ser solucionados se houvesse uma melhor gestão e vontade política. Uma pena é que parece haver um movimento do governo no sentido de sucatear o serviço. Por Nelson Lima Neto, Extra.

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