Estatais reduzem em R$ 150 milhões patrocínios esportivos em 2017

Recursos para modalidades como natação, atletismo e judô minguaram após o ciclo olímpico, enquanto o futebol passou a receber mais

Judô viu o investimento estatal diminuir. Na foto, Maria Portela vence evento em São Petersburgo - Divulgação IFJ
A defesa da Itália recebe o saque de Wallace, levanta na direita e o ponteiro Ivan Zaytsev salta para a batida. Do outro lado da rede, o brasileiro Lipe faz o bloqueio e coloca a bola no chão, no lado italiano. Ponto para o Brasil, o último, e a medalha de ouro para o vôlei masculino nos Jogos Olímpicos no Rio, para a euforia dos torcedores no Maracanãzinho. Aquele momento de êxtase, além de ter sido o desfecho da Olimpíada de 2016, foi também o instante em que o esporte olímpico brasileiro começou a perder dinheiro.

Entre 2013 e o ponto de Lipe, o esporte olímpico nacional se sustentara em grande parte devido ao patrocínio de bancos e empresas estatais. Em sua gestão, a presidente Dilma Rousseff ordenou às estatais que financiassem as modalidades, uma tardia tentativa de tornar possíveis medalhas na Olimpíada. Mas a farra acabou ali. Em 2017, valores gastos por estatais foram reduzidos em 33%, de R$ 454 milhões no ano anterior para R$ 302 milhões. Os dados foram obtidos pelo GLOBO por meio Lei de Acesso à Informação.

O levantamento considera contratos de Banco do Brasil, BNDES, Caixa, Correios, Eletrobras, Infraero e Petrobras - e revela que essas estatais encerraram ou reduziram significativamente os gastos na área. Nem o vôlei passou incólume pelo fim do ciclo olímpico – apesar do ouro conquistado, os R$ 47 milhões recebidos do Banco do Brasil em 2016 caíram para R$ 43,5 milhões em 2017. O patrocínio inclui o vôlei de quadra e o de praia, ambos regidos pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). E foi pouco.

Outras confederações viram tesouradas muito piores. A dos Desportos Aquáticos (CBDA), por exemplo: os Correios reduziram o acordo de R$ 18 milhões em 2016 para R$ 5,7 milhões em 2017, segundo dados fornecidos pela empresa. Neste caso particular, a situação se agravou ainda mais pela política interna da confederação, atingida financeiramente pela prisão de Coaracy Nunes, dirigente que a presidiu por 29 anos, no início de 2017. Os Correios afirmaram em nota oficial, na ocasião, que rescindiriam o contrato de patrocínio. A estatal recuou em seguida e manteve o contrato, mas com a redução de 68%.
Valores de patrocínio em 2017 Fonte: Lei de Acesso à Informação
Valores de patrocínio em 2016 Fonte: Lei de Acesso à Informação
Comparação entre 2016 e 2017 Fonte: Lei de Acesso à Informação
As piores situações são de oito modalidades que ficaram sem qualquer contrato. As confederações de ciclismo e lutas associadas perderam os acordos que tinham com a Caixa; judô, boxe, remo, tae-kwon-do, esgrima e levantamento de peso ficaram sem o dinheiro da Petrobras. A petrolífera decidiu acabar com investimentos olímpicos e concentrar sua verba na Fórmula 1 – que nem tem mais pilotos brasileiros -, por meio de um acordo de fornecimento e combustíveis e lubrificantes para a equipe McLaren, e ter participações em categorias brasileiras como a Stock Car.

A Caixa decidiu centralizar gastos. Reduziu valores para ginástica, atletismo e paradesporto e aumentou a verba para o futebol de R$ 152 milhões em 2016 para R$ 163 milhões em 2017. Os patrocínios abarcam clubes, como Flamengo e Botafogo, e competições – Brasileirão Feminino, Copa do Nordeste, Copa Verde, Série B e estadual de Sergipe. Outra decisão do banco privilegiou o basquete, por meio do Novo Basquete Brasil (NBB). A liga de equipes que organiza o torneio recebeu R$ 8 milhões em 2017 em um contrato que não existia no ciclo olímpico, assinado no início do ano e válido até 2020.

BNDES e Infraero, que tinham os investimentos mais tímidos, ficaram ainda menores. Judô e canoagem foram as modalidades que ficaram sem recursos nesses casos. A Eletrobras foi a primeira a acabar com patrocínios esportivos já em 2014, ainda em meio ao ciclo olímpico. Depois de ter sido usada pelo ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral para patrocinar o Vasco, seu time do coração, e por Dilma para investir no basquete, a empresa foi financeiramente prejudicada por mudanças que a ex-presidente fez no setor elétrico, e abandonou o futebol e os esportes olímpicos antes das demais.

A Caixa afirma que a diminuição de seus patrocínios olímpicos se deve ao fim do Plano Brasil Medalhas, instituído por Dilma para o período de 2013 a 2016. A Infraero afirmou que a redução foi uma consequência das contenções de custos em toda a empresa. Justificativa similar deu a Petrobras, que disse ter readequado sua “carteira de projetos” para que chegasse ao “novo posicionamento” de sua marca. A companhia ainda negocia a extensão do Time Petrobras, seleção de atletas olímpicos que recebeu recursos em 2016. Banco do Brasil, BNDES e Correios não informaram os motivos dos cortes. Por Rodrigo Capelo, agência O Globo.
Valores por modalidade em 2017 Fonte: Lei de Acesso à Informação
Valores por modalidade em 2016 Fonte: Lei de Acesso à Informação

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Correios do Brasil - Funcionários: Estatais reduzem em R$ 150 milhões patrocínios esportivos em 2017
Estatais reduzem em R$ 150 milhões patrocínios esportivos em 2017
Recursos para modalidades como natação, atletismo e judô minguaram após o ciclo olímpico, enquanto o futebol passou a receber mais
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